TREINAMENTOS
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Roseli Machado

GAZETA ESPORTIVA - São Paulo, 2 de Janeiro de 1997
72ª SÃO SILVESTRE. - ROSELI SABIA: SERIA A CAMPEÃ

    É o que a brasileira Roseli Machado garantia, com inabalável convicção, antes do início da prova que foi inteiramente sua, da largada ao pódio da consagração.
    Em Outubro de 96, após vencer uma prova Roseli Machado já tinha São Silvestre na cabeça. Para quem quisesse ouvir, a atleta afirmou que ia vencer a prova no último dia do ano. Antes da largada, durante o aquecimento do pelotão de elite, embaixo do vão livre do MASP, a atleta da Funilense reafirmou a convicção. Quando alguns jornalistas perguntaram se ele se considerava umas das favoritas, disparou: "Não estou entre as favoritas. Eu vou ganhar."

    Dito e feito, Roseli, na entrevista coletiva após a vitória, não procurou passar uma imagem de superioridade. "Não quero parecer arrogante, mas acredito muito em mim, no meu Deus. Treinei muito para isso, me dediquei muito em quatro meses de treinamento em Campos de Jordão e sabia que tinha condição de vencer", disse, explicando a conquista logo na primeira São Silvestre que conseguiu participar - tentou por quatro anos mas sempre era atrapalhada por algum problema e não conseguia correr.

    Embora não aparecesse nas listas de favoritos, nem tivesse seu perfil divulgado pelo locutor oficial antes da prova, Roseli foi aumentando sua certeza aos poucos. Enquanto terminava seu aquecimento, todos os microfones estavam voltados para a desistência da campeã de 95, Carmem de Oliveira. Mas já na sexta-feira, quatro dias antes da São Silvestre, ela cultivava aquela confiança que só os verdadeiros campeões costumam ter. "Um atleta amigo meu fez alguns tiros de 400 metros ao meu lado e disse que eu tinha corrido como homem", revelou. Durante a prova, a confiança só aumentou. "O tempo todo eu sabia que a vitória era minha." Vigésima segunda colocada na prova dos 5 mil metros em Atlanta, ela tem a melhor marca brasileira da distância (15min33s) e também dos 10 mil (32min35s).

CIRURGIA EXPLICA AS "MANCADAS" DA VENCEDORA

    "Eu manco mesmo!" Essa foi a resposta de Roseli Machado à curiosidade dos repórteres quanto ao passo reticente que ela demonstrou durante a prova, que chegou a preocupar uns torcedores na subida da Brigadeiro Luiz Antônio. Em 1990, Roseli precisou ser operada no joelho esquerdo por causa de uma contusão nos ligamentos sofrida durante um treino.

    "Fiquei com uma perna mais curta que a outra. Sou mesmo diferente. Não gosto de ser igual a ninguém", brincou. Um pouco depois da metade da prova, após o Viaduto do Chá, ela disparou, deixando as concorrentes para trás e terminando a prova com bom tempo de 52min32. Quase um minuto à frente da segunda colocada, a mexicana Maria Del Carmo Díaz, que apostava tudo na subida da Brigadeiro, quando ficou ainda mais para trás. E com quase dois minutos de vantagem sobre a quata colocada, a equatoriana Martha Tenório. (MN)

 
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